por Dr. Fernando Leal

EXISTEM VILØES NA DIETA?

Infelizmente a resposta é sim, eles existem e cada vez participam mais ativamente da rotina alimentar da população mundial, temos um aumento já consagrado de obesidade infantil que preocupa de maneira contundente a sociedade médica atual.

Vamos atribuir o título de vilão a todo aquele tipo de alimento que confere a determinação de um vício ao paladar, ao organismo e pior ainda, ao indivíduo do ponto de vista psicológico. Sim caro leitor, vício mesmo na sua essência e definição, àqueles que irão promover a dependência de alguns produtos alimentícios ou componentes destes gerando uma agressão constante ao nosso organismo, mesmo que em baixas doses e subsequente promovendo alterações imunológicas, de absorção e retenção de gorduras indesejáveis. Somos vítimas diretas dessa enxurrada de produtos industrializados ricos em malefícios que nos direciona diretamente a um aumento do número de doenças e uso de medicamentos cada vez mais abusivos, não há como não pensar em uma teoria da conspiração aqui, não é?

Minha frase de sempre no consultório é a seguinte: “vamos usar o que te temos de melhor: a nossa diferenciação intelectual contra isso!” Uma vez que podemos identificar quais são os vilões e sabendo da sua ação em nosso organismo basta selecionar com propriedade o que nos é saudável e exclusivamente nos traz benefícios à nossa saúde. Talvez seja realmente o momento de não culpar mais a genética ou a herança familiar e aceitar que a imensa maioria dos acontecimentos estão diretamente sob o nosso controle. Esse poder é todo nosso. Por exemplo, na década de 50 no Japão os índices de câncer de cólon (intestino grosso) era muito inferior ao observado no ocidente como nos Estados Unidos, será então que a mudança do padrão alimentar do japonês a um aumento em cinco vezes do consumo de carne seja o responsável por um numero maior de diagnósticos da doença na atualidade no país? Não quero levantar a bandeira vegana ou vegetariana, mas podemos começar a pensar mais no assunto. Essas escolhas são sempre nossas.

O primeiro deles que falaremos é o açúcar.

Um dos primeiros problemas nosso é evita-los, pois além do paladar super agradável, tem uma aplicabilidade real como calmante emocional (principalmente para aquelas em TPM que o usam como uma justificativa formidável) ajudando na regulação do humor pelo aumento da produção de serotonina, ou então, muitos têm no açúcar o que chamamos de paladar infantilizado onde uma lembrança de alguma guloseima do passado de certa forma “autoriza” o momento do consumo.

Importante lembrar que antes do açúcar cair na corrente sanguínea obrigatoriamente ele passa pelo pâncreas que secretará uma quantidade suficiente de insulina para quebrar esse açúcar e controlar a quantidade que ficará na corrente sanguínea. Quando o consumo é exagerado a reação do nosso organismo é muito negativa, num primeiro momento o pâncreas aumenta a produção de insulina mas com o aumento o pâncreas começa a entrar em falência parcial, diminuindo sua produção progressivamente e com isso a taxa de açúcar no sangue aumenta resultando em diabetes.

As opções do açúcar são inúmeras: refinado, cristal, orgânico, mascavo, demerara, frutose e light. Já fica a dica que todos são açúcares, ou seja, todos podem agir negativamente no nosso organismo podendo provocar problemas relacionados ao ato consumo como diabetes e obesidade. Alguns trabalhos sérios já mostram hoje a dependência que temos em relação ao açúcar. Estima-se ser mais viciante que a cocaína em até seis vezes. Muitas vezes então a culpa acaba não sendo só nossa. Estamos viciados e precisamos de ajuda para conseguir largar esse vício.

Em nosso próximo encontro falaremos dos outros vilões… até lá.

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